Planejamento de Fim de Ano: Quando a vida cobra a organização que você adiou.
- Emanuelle Araújo

- 2 de dez. de 2025
- 2 min de leitura
Existe um fenômeno curioso que acontece todos os anos: à medida que dezembro se aproxima, surge uma sensação quase física de “preciso colocar tudo em ordem”. É como se o calendário nos olhasse silenciosamente e dissesse: “eu te avisei”. E, de alguma forma, ele avisou mesmo.
Gosto de pensar que o ano é como uma casa com portas de vidro. Enquanto estamos vivendo, trabalhando, cuidando dos outros e administrando imprevistos, vamos passando por essas portas com pressa. Elas ficam marcadas: digitais, poeira, manchas que não percebemos no dia a dia.
Mas basta a luz de dezembro bater, aquela luz mais baixa, dourada, quase simbólica, para que tudo apareça: aquilo que deixamos acumular, o que adiamos, o que fizemos pela metade.
E não é sobre culpa. É sobre visibilidade.
O fim de ano não nos julga; ele apenas ilumina.
Planejar não é controlar, é organizar a luz.
O erro mais comum é achar que planejamento significa prever tudo. Não significa. Planejamento é orientar a luz: decidir o que precisa brilhar, o que pode ficar em segundo plano e o que não precisa mais fazer parte.
É uma prática de clareza, não de rigidez. É sobre autoria, não sobre perfeição.
As três perguntas que limpam as portas (e organizam a vida):
Se dezembro ilumina, cabe a nós limpar o vidro. E isso começa com três perguntas simples:
1. O que realmente importa para mim agora? Não o que deveria importar, mas o que importa de fato — com honestidade.
2. O que está roubando energia e não deveria? Projetos pendurados, conversas adiadas, expectativas que não são suas.
3. Que pequeno movimento posso fazer que muda meu janeiro? Não é sobre grandes resoluções; é sobre ações pequenas que geram tração.
Uma prática concreta para colocar ordem antes do ano virar:
Pegue uma folha e divida em três colunas:
Coluna 1: Continuar -Tudo que está funcionando e merece presença.
Coluna 2: Encerrar - O que pode, e deve, ser finalizado, devolvido, concluído ou deixado ir.
Coluna 3: Começar - O que você quer inaugurar com intenção, não por impulso.
Essa estrutura é simples, mas profundamente transformadora porque organiza o que está em desordem emocional. Ela coloca o foco no que é real, e não no que é idealizado.
Porque o fim de ano não é sobre pressa, é sobre consciência.
Se há algo que tento levar para mim, para minhas pacientes e mentoradas, é que ciclos não se fecham sozinhos. Eles pedem participação, cuidado, pausa e escolha. O fim do ano não exige que você vire outra pessoa, apenas que você olhe para si com um pouco mais de luz.
E, como na casa de portas de vidro, basta limpar uma por dia. Quando você se der conta, a claridade volta a entrar.
Com carinho,
EA.





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